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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Maratona Literária

No dia 23 de abril aconteceu a Maratona do Livro, organizada pelo IEL, em companhia da AGEs. Fui convidada para participar aqui em Novo Hamburgo. Dê uma olhada de como foi o meu encontro e depois confira o depoimento dos outros autores clicando AQUI.

"Ontem, dia 23 foi um dia especial. E não porque fosse o “Dia do Livro”. Sou meio ruim em datas e para quem é doida por livros, como eu, todos os dias são “dia do livro”. Mas nem sempre eu posso falar dessa paixão com tanta liberdade e tempo quanto foi ontem e foi isso o que tornou esse momento especial.
Saber que existem pessoas que acreditam tanto na força do livro, também fez deste dia 23 um dia diferente. Em meio a tanta violência, tanta incompreensão, tanto desamor, tanta coisa virtual e descartável, fútil e descartável, volátil e descartável, saber que existem pessoas que fazem questão de ter um espaço para algo que vai na contramão dessa realidade, como é o livro, me dá sempre uma sensação de amparo e conforto. A gente pensa que vai dar certo; que vai dar para fazer. Vai dar para construir uma sociedade mais justa, uma realidade mais humana, um futuro mais possível.
O espaço da Biblioteca Comunitária Érico Veríssimo, bairro Santo Afonso em Novo Hamburgo, uma das tantas tentativas de tornar nosso cotidiano menos assustador, e a que chamamos de “Território da Paz”, é enxuto, mas real e realizado. São dois salões, um para os encontros das pessoas, outro com as estantes cheias de livros. A maior parte deles são usados, livros que vieram de outros lugares e, sobretudo, de outros tempos. Foi rigorosamente limpo e arrumado, como a casa de uma pessoa que se prepara para receber visitas muito queridas. E as visitas muito queridas fomos nós: escritora e leitores. No fundo, todos leitores, na verdade, que o escritor é só uma versão um pouco diferente do leitor comum. Estiveram presentes o Secretário Municipal de Cultura, Carlos Mossman, a presidente da Academia Literária do Vale do Sinos, Renate Gigel, pessoas ligadas à Semec, à cultura, à mídia, e à leitura. Estavam professores e alunos de duas escolas da região, A EMEF Harry Roth e a EMEF Caldas Júnior. Conversamos sobre livros. Sobre como se faz um livro. Como se produz um livro. Porque se escreve. Quem somos nós, escritores, leitores, sujeitos do mundo - e as horas passaram voando e a gente nem percebeu. Bom, eu não percebi. E tenho certeza de que muitas crianças também. Foi muito legal. Foi como reencontrar velhos amigos, só eram todos novos.
E quando saí para o dia ensolarado, ficou a confiança de sempre: a de que toda biblioteca é um território de paz. Um valente e desafiador território de paz. A História prova que o livro resiste ao tempo e aos desafios do cotidiano. O conhecimento resiste. A sabedoria resiste. O sonho resiste. Talvez essa seja uma confiança meio fantasiosa, mas o que mais se pode pedir para uma pessoa que vive imaginando histórias?"

A biblioteca, organizada para o encontro

Houve até sessão de autógrafos

Secretário de Cultura de Novo Hamburgo também
compareceu ao evento

O pessoal que cuida da Biblioteca Comunitária Érico Veríssimo

domingo, 9 de fevereiro de 2014

No Pasqualini, promessas para o Futuro

   Uma das visitas que aconteceram durante o desenrolar da 31ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo, foi a do Colégio Estadual Alberto Pasqualini, aqui em Novo Hamburgo. O Pasqualini, como é popularmente conhecido, já faz parte da minha vida literária, e guardo muito boas recordações daquela primeira visita - às quais, agora, se somam as recordações da visita deste ano.  Foram dois horários diferentes e muita gente atenta ao bate papo, além da confecção de trabalhos realmente muito criativos, como transformar os contos de Contos do Sul, um dos livros trabalhados, em literatura de cordel. Pode isso? Fico sempre muito surpresa com a capacidade criativa das pessoas, e às vezes dessas mesmas pessoas que me perguntam de onde eu tira a criatividade para escrever as minhas histórias. Ora, de onde! Do mesmo lugar de onde essas pessoas tiram as ideias para transformar umas coisas em outras com extrema capacidade. Pena que alguns colegas não puderam vir, justamente naquele dia, para que os trabalhos ficassem completos... mas, tudo bem. Foi uma visita muito legal, onde, inclusive, encontrei uma garota que leva no coração a vontade de ir mais além e ser, quem sabe um dia, escritora. Vai lá! A gente se encontra no Futuro!


Entre as pessoas queridas que encontrei nesta visita,
esta simpática futura colega escritora. Que seus sonhos se realizem!

Salão lotado para acompanhar o bate papo sobre os livros
escolhidos pela escola para serem lidos em sala de aula.

O Pasqualini deu um banho de criatividade, transformando os
contos de "Contos do Sul" em cordel. Muito bom!

domingo, 6 de novembro de 2011

Visita Surpresa

Foi uma verdadeira surpresa, a minha participação na Feira Cultural da Escola Municipal Eugênio Nelson Ritzel. a visita foi marcada em tempo recorde e eu até fiquei meio preocupada, porque quando as visitas são marcadas em cima da hora, geralmente não dá tempo para as turmas lerem meus livros ou fazerem seus trabalhos. Mas não foi assim. Bastante ágil, as turmas se organizaram e disserem "presente" no final de uma manhã de sábado e me apresentaram um boneco de mim mesma. Foi muito bacana e eu corri para tirar uma foto. Não é todo dia que a gente consegue tirar uma foto consigo mesma!
A recepção foi super carinhosa. além dos leitores de Um rio pelo meio  e As asas do dragão, encontrei boas amigas que não via a muito tempo e pude trocar ideias com as pessoas do bairro, o que foi muito bom. Às vezes a gente vai a tantos lugares e termina sem conhecer a própria cidade onde mora.
 
  Parte do pessoal que foi me receber na EM Eugênio Nelson Ritzel
 
A foto comigo mesma. Muito divertido!

29ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo - simplesmente inesquecível!

Eu e Arno Kayser, patrono da Feira

Existem festas que marcam e deixam saudades. Por exemplo, eu lembro de um evento organizado na Praça 20, há muitos anos atrás, para denunciar a situação lamentável em que se encontrava o Rio dos Sinos. Era organizado pelo Movimento Roessler. Eu não lembro mais o nome do evento, mas recordo das instalações feitas na praça com o lixo recolhido do rio. Lembro da polêmica exposição de Flávio Scholles, que escandalizou e fez refletir sobre ecologia e arte. Lembro das pessoas reunidas, cantando, dançando, trafegando, discutindo ecologia, arte, poesia. É como um sonho bom, um sonho que fica, muito depois que a gente acorda.

O público veio conferir as atrações da Feira


Pois ouso dizer que a 29ª Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo foi um desses eventos. Coincidência ou não - dizem os esotéricos que não há coincidências - o patrono do evento foi Arno Kayser, que lá nos idos dos anos 80, já fazia parte daquele mesmo Movimento Roessler que ousou denunciar com arte e atitude. Talvez seja que o Arno está ligado a esses eventos que se perpetuam na memória, que viram lembrança, que imitam o sonho.


Rodolfo em ação durante uma Fornada Literária


Eu sei que sou suspeita de falar, mas não sou só eu que anda dizendo que a feira de 2011 foi a melhor feira do livro que Novo Hamburgo já viu. Foram muitos momentos marcantes, um bom palco montado no lugar certo e recebendo visitas ilustres, conhecidas, desconhecidas, que se fizeram ver, ouvir e tocar. Falou-se de literatura, ouviu-se música, cantamos, lemos, e curtimos. Estava lá o Paulo Stürmer encarnando o Rodolfo Habichuela, personagem criado especialmente para o evento, para encantar a criançada e a criança dentro dos adultos.  Mas não foi apenas isso que tornou essa feira, especial.

A Bruxa Filó e eu: livros e sonhos 

O melhor dela foi a organização, a preocupação com o detalhe, uma produção esmerada que inteligentemente que colocou o livro no centro dos acontecimentos. O livro na forma de objeto e na forma de ideia, de pensamento. O livro enquanto papel e tinta e enquanto sonho.

 
Da esquerda para a direita:  eu, Rodolfo Habichuela (Paulo Stürmer) o forno das Fornadas Literárias, Joel Nunes, o desenhista que criou o layout do Rodolfo e da Feira, Marquinhos MQP, que criou o forno com a ajuda do seu pai (uma história bem bonita, que ameaça virar aventura do Rodolfo) e Ralf Cardoso, da Um Cultural.


Sou suspeita de falar, eu dizia: Rodolfo é meu personagem. Mas ele não teria saído do papel para figurar na praça e no abraço de tantos que tiraram foto com ele se não fosse os cuidadosos planejamento e realização da equipe que produziu a Feira, a equipe da Um Cultural. A Secult disse presente, os patrocinadores e apoiadores disseram presente, os livreiros disseram presente, mas mais importante, o público foi ver. Foram ver o Borguetinho, o Arnaldo Antunes, o Hique Gomes, o André Neves, que no início da semana foi galardoado com o Prêmio Jabuti, na categoria Livro Infantil. Foram ouvir o Henrique Schneider lendo seus textos, foram ouvir os grupos do happy hour.
  
Léia Cassol, Marô Barbieri e eu. Pelestrantes queridas e muito especiais

Por falar em autor infantil, muita gente achou que havia um excesso de apelo sobre os livros infantis nas bancas e é verdade. O livro infantil é mais colorido e bonito, chama mais atenção. E como ainda existe uma mentalidade de que Feira do Livro é sinônimo de evento escolar, muitos livreiros preferem acreditar o apelo comercial fácil. Mas havia livros para adultos também, bastava pedir, ou mesmo procurar nas bancas. Porque, afinal de contas, isso é uma feira, uma oportunidade de a gente ficar fuçando em busca do livro aguardado.

Um dos horários de palestra

Porém, não creia que tudo se resolveu neste 2011. Vários projetos ficaram para atrás e espero que no ano que vem eles possam, finalmente, ser realizados. Senti falta da presença dos autores independentes, que tinham uma banca reservada para eles, mas que estava sempre vazia. Talvez eles preferissem ficar circulando entre o público, como tantos que vi por lá. Também sigo sentindo falta da presença da Feevale e do Jornal NH. Não teremos uma feira completa enquanto estas duas entidades não estiverem tão presentes quanto os demais estiveram.

Show do Borguetinho

Mas quem foi, viu. Nos reunimos, cantamos, lemos, ouvimos histórias e poesias. Enfim, deixo vocês com as imagens. Só um reflexo pálido da vivacidade que elas adquirem na minha memória. Mas aproveitem com carinho: não é todo o dia que a gente pode contemplar um sonho.  Um sonho bom, um sonho que fica, muito depois que a gente acorda.

Banda alemã que trouxe jazz para a praça